A praia onde ainda tem gente morando
A Praia da Ponta Aguda fica no extremo sul de Ubatuba, no trecho de costa que vai da divisa com Caraguatatuba até a Lagoa. Ela ocupa a enseada entre a Praia da Figueira, ao sul, e a Praia da Lagoa, ao norte. É aqui que a trilha costeira que parte de Tabatinga encontra um dos poucos pontos do litoral com população permanente.
O que distingue a Ponta Aguda das outras praias do percurso é a vila caiçara: um conjunto pequeno de casas de madeira e palafita, poucas famílias de pescadores e um povoado que ainda vive da pesca artesanal. Não é uma praia de serviços nem um ponto turístico pronto — é um bairro de pescadores que acontece de estar na beira-mar.
Para quem já percorreu a Trilha do Saco das Bananas de norte a sul, a Ponta Aguda é a parada mais humana do percurso: em vez de mais uma faixa de areia intocada, encontra-se gente, barcas puxadas na areia e o cheiro de fogueira. O resto do trajeto continua praticamente sem qualquer estrutura.
Onde fica e como chegar
Não há acesso por rua até a areia. A praia é o fim de linha do percurso terrestre que sai da Praia de Tabatinga, na divisa sul do município, e os dois caminhos mais usados são a trilha e o mar.
- Pela trilha, a partir de Tabatinga: é o percurso clássico da Trilha do Saco das Bananas no sentido sul. Ele sai do canto esquerdo de Tabatinga, atravessa o rio rasinho que corta a praia e sobe a restinga, passando pelas Galhetas, pela Figueira e chegando à Ponta Aguda em um percurso de poucas horas.
- De carro: siga pela Rodovia Rio-Santos até a Praia de Tabatinga e estacione em um dos acessos da praia. A partir daí é caminhada, sem qualquer outra alternativa viária.
- De barco: escunas e lanchas contratadas em Ubatuba ou nas praias do sul param na Ponta Aguda, que é um dos pontos de desembarque da rota costeira.
- A pé, a partir da Lagoa: quem faz a trilha no sentido inverso chega aqui depois de passar pelo Saco das Bananas e pelo Frade — é o outro lado da mesma caminhada.
O que esperar da Ponta Aguda
O cenário é o do sul de Ubatuba: uma faixa de areia clara e larga, com mar aberto, horizonte sem nada no caminho e a Mata Atlântica fechando o fundo da enseada. Costões de pedra se alternam com a areia e há riachinhos que descem da encosta — em vários pontos a água é transparente o suficiente para ver o fundo.
A diferença em relação às praias vizinhas é o movimento na areia: aqui há gente trabalhando, casas, rede de pesca estendida na praia e de vez em quando um barco sendo consertado à sombra. Isso não significa estrutura turística — é raro encontrar barraca de comida, wc ou commerce formal. A vila é simples e a hospitalidade vem das próprias famílias.
Hospedagem e comida
A Ponta Aguda não tem hotel, pousada ou restaurante. Quem pretende pernoitar precisa se hospedar com as poucas pousadas e casas de temporada da região de Tabatinga e Maranduba, ou acampar na praia com o equipamento próprio — e, nesse caso, vale conversar antes com os moradores. Para as refeições, o prática é levar comida pronta: nas redondezas o comércio é escasso.
Dicas para aproveitar melhor a visita
- Combine com a vila: a praia pertence a quem mora nela. Pergunte onde pode acampar, evite carregar equipamento por cima da casa dos vizinhos e compre o que precisar dos pescadores.
- Confira a maré: o percurso perto do rio rasinho de Tabatinga e os costões de pedra ficam muito mais fáceis de cruzar com a maré baixa.
- Vá de dia: o sol põe cedo atrás da serra e o caminho de volta fica escuro em cima da restinga. Planeje sair antes das 16h.
- Calçado firme e água: o caminho alterna areia, cascalho e mata fechada, sem nenhuma loja no percurso.
- Leve o lixo de volta: não há coleta. E, como em todo o litoral de Ubatuba, recolha o que encontrar deixado na areia.
- Vale a pena esticar o dia: muitos chegam até a Figura e voltam sem ver a Ponta Aguda. Fazer a trilha do Saco das Bananas inteira transforma o dia num roteiro de praia em praia.
Entre a Figueira e a Lagoa, a Ponta Aguda quebra a sequência de praias desertas com uma vila de pescadores de poucas casas. Vale a visita para quem quer conhecer o Ubatuba de quem faz nele: silêncio, mar aberto e uma praia que ainda tem endereço.